Existe um buraco negro no centro de cada galáxia.
Esta foi uma conclusão recente dos cientistas. E, sim, isso quer dizer
que as galáxias serão engolidas pelos seus próprios buracos negros. Mas
calma a boa notícia é que este é um processo extremamente lento.
Os
buracos negros são sim “esfomeados” mas não saem por aí engolindo
estrelas, planetas e tudo o mais que encontram pela frente. Eles ficam
“quietos” por muito tempo sem mexer com os objetos próximos que o
orbitam. Somente se eles chegarem muito próximos é que serão capturados
pelo campo gravitacional.
Entenda
Vamos tomar como exemplo a Via Láctea, a mais fácil de ser
estudada, já que vivemos dentro dela. O buraco negro supermassivo que
existe no centro da nossa galáxia é envolto por uma “bola” formada por
bilhões de estrelas, o chamado bojo estelar. Ao redor dele, há um disco
achatado de estrelas que gira no centro. Nesse disco, vemos uma espiral
onde se concentram nuvens de gás onde são formadas novas estrelas. A
Terra está em um dos braços dessa espiral, bem longe do buraco negro
central. Apesar de estar no meio de um banquete estelar, há algo que
impede o buraco de sair devorando as estrelas do bojo. O bloqueio tem a
ver com a física, e é uma coisa tão básica que a gente aprende no ensino
fundamental: a gravidade.
Estudos revelam também novos dados sobre funcionamento dos
buracos negros. Se um corpo celeste é capturado pelo campo gravitacional
do buraco negro, não tem jeito, o corpo será puxado com tanta violência
que vai perder a forma e a luz – e o que restar da sua matéria vai se
integrar à massa do buraco.
Só que o campo gravitacional do comilão tem
um limite, que os cientistas
chamam de raio de maré. Suponhamos que uma nave espacial chegue bem
perto do buraco. Ela seria atraída por ele, mas tem velocidade
suficiente para escapar dessa enrascada. Se a espaçonave ultrapassar o
raio de maré, não haverá velocidade que vai ajudar o piloto a escapar, e
eles seriam destruídos. Neste raio de ação, a gravidade do buraco negro
é maior do que força que mantém a nave “unida”, na sua forma original. A
boa notícia é que, para ser engolido pelo buraco, o piloto teria de
chegar bem perto.
Não há estrelas dando sopa dentro do raio de maré do buraco negro.
Afinal, ele já engoliu o que conseguiu alcançar. As estrelas do bojo se
movimentam seguindo órbitas próprias. Estima-se que a cada 10 mil anos,
uma estrela sofra uma perturbação em sua órbita e se aproxime do raio de
maré do buraco. Aí não tem escapatória: ele engole mesmo.
A cada vez
que ele devora uma estrela, seu potencial gravitacional aumenta. Como
isso acontece a cada dez mil anos, ele vai demorar uns trilhões de anos
para comer somente as estrelas do bojo. Para devorar a galáxia inteira,
só daqui a uns quatrilhões de anos.
Fonte: UOL






